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Profissionais que vivem era das IAs respondem: como serão os atendimentos médicos em 2050?

A inteligência artificial já está redesenhando a prática médica, mas o cenário de hoje é apenas o começo de uma profunda transformação que vai se intensificar nos próximos anos. Como será a nova rotina no consultório? Qual será o papel do médico diante das IAs? O que mudará na relação com os pacientes? Que competências humanas seguirão indispensáveis na atuação profissional?

Em busca de boas previsões, a Voa Health convidou especialistas de diferentes áreas da medicina para imaginar os atendimentos médicos no ano de 2050, um exercício de futurologia que inclui rotinas automatizadas, diagnósticos auxiliados por algoritmos e tratamentos personalizados pelas IAs, mas que não esquece do insubstituível papel do médico na escuta empática e na tomada de decisões.

Mergulhe com a gente nessa jornada pelo futuro e descubra como a prática médica vai se reinventar nas próximas décadas!


“Tecnologia, pensamento crítico e humanidade”
Dr. Matheus Rabahi, pneumologista

O futuro do atendimento não será médico versus IA, mas médico com IA. Médicos que dominarem as lógicas centauro, de dividir tarefas entre humano e máquina, e ciborgue, de trabalhar fundido à IA em tempo real, terão mais poder de decisão e resolutividade. A IA vai sugerir diagnósticos, indicar terapias personalizadas e simular riscos, mas caberá ao médico validar, corrigir e contextualizar para cada paciente.

O paciente de 2050 será informado, exigente e autônomo. Usará dispositivos vestíveis que monitoram continuamente pressão, saturação, glicemia, biomarcadores genômicos e até atividade neural. Ele chegará para a consulta com relatórios pré-interpretados por algoritmos. O médico será menos “dono do saber” e mais curador de informações e mentor de escolhas.

O hospital tradicional será apenas para casos complexos. Consultas remotas e monitoramento domiciliar inteligente serão o padrão. O “consultório” estará no pulso, no celular e na nuvem. O médico poderá acompanhar dezenas de pacientes em tempo real, intervindo preventivamente antes que o problema exploda. Rotinas burocráticas e repetitivas (prontuários, laudos simples, receitas) serão automatizadas, deixando para o médico decisão em caso de incerteza, comunicação empática, supervisão ética da IA e gestão de casos complexos. O médico será cada vez mais um especialista de alta complexidade e de relações humanas.

O desafio será equilibrar tecnologia e humanismo, pois há riscos de cair no “deskilling” ou “never-skilling”, com médicos que desaprendem ou nunca aprendem a raciocinar porque terceirizam tudo à IA. Precisaremos de currículos médicos que formem profissionais capazes de usar a IA criticamente, e não apenas apertar botões. E, sobretudo, preservar a relação humana, porque confiança, empatia e ética não serão substituídos por algoritmos.

Daqui a 25 anos, na minha visão, o melhor médico será aquele que souber equilibrar três coisas — tecnologia, pensamento crítico e humanidade. Quem dominar só a tecnologia, será substituído. Quem ficar apenas no “olho clínico”, ficará obsoleto. Mas quem unir as duas pontas, será indispensável.


“A conexão humana vai ser nossa maior aliada”
Dra. Denise D’Avila Búrigo, coloproctologista

Em 25 anos, mais do que nunca, a conexão humana vai ser nossa maior aliada nos atendimentos médicos. Enquanto alguns projetam as IAs “tomando lugar”, eu enxergo potencial como ferramentas de aprimoramento, sendo usadas para facilitar processos burocráticos que não devem consumir o tempo do médico. Calcular escores, predizer riscos para patologias, realizar registros de prontuários como já fazemos atualmente. 

Eu estarei pronta e recebendo meus pacientes com o cuidado humano necessário, munida de atualização e tecnologia para oferecer a melhor a assistência.


“O futuro será de médicos inteligentes”
Dr. Júlio Andrade, oftalmologista

Em 25 anos, só existirão dois tipos de médicos: os inteligentes e os ultrapassados. A inteligência artificial vai analisar exames em segundos, prever doenças antes dos sintomas e entregar tratamentos que hoje não conhecemos. E sabe o que vai restar para nós, médicos? O que a máquina não pode dar: escuta, empatia e conexão humana. O futuro será de médicos inteligentes, que usam a IA como extensão do cérebro, sem abrir mão do coração.


“Haverá um refinamento de IAs que já estão na nossa mão”
Dr. Lucas Fantini, psiquiatra

O atendimento médico, ou atendimento médico psiquiátrico, no meu caso, daqui a 25 anos, será da mesma forma que é hoje para aqueles médicos — psiquiatras ou não — que já entraram nessa vida da inteligência artificial. Ou seja, nós vamos atender com apoio de assistentes ou agentes. Trabalharemos com assistentes supertreinados, extremamente capacitados para nos ajudar, por exemplo, no início do agendamento da consulta: ele poderá conversar com o seu paciente, agendar a consulta, fazer a cobrança da consulta — tudo isso de forma automática. 

Quando o paciente chega dentro do consultório ou online, você vai entrevistá-lo. Isso nunca vai morrer na medicina, principalmente na psiquiatria: essa relação de um humano com outro humano, um humano que tem consciência da consciência do outro, que entende as dores e que tem, principalmente, empatia — a capacidade de entender e se colocar no lugar do outro. Isso nunca será substituído por nenhuma máquina. Então, essa entrevista será feita por nós, médicos. Agora, quem vai redigir essa entrevista — ou seja, os trabalhos burocráticos — não serei mais eu. Será o meu assistente. Tanto que hoje você já tem uma assistente para isso que se chama Voa Health, uma assistente que capta o áudio da consulta e transcreve do jeito que nós ensinamos para ele. 

Pense: esses assistentes, agentes ou assessores trabalharão para nós e serão treinados por nós. Quem fará a receita? Um outro assistente. Quem vai te ajudar no diagnóstico, no prognóstico, no que prescrever, no que pensar diante desse paciente? Também será um assistente. Só que essa realidade já existe hoje, e não só daqui 25 anos. Daqui a 25 anos, eles estarão extremamente treinados. Mas tudo isso que eu estou falando já é uma realidade hoje.


Principais tendências na medicina com IA em 2050
  • IA será aliada, não substituta do médico.
  • Tarefas burocráticas e repetitivas serão automatizadas.
  • Diagnósticos e tratamentos personalizados com algoritmos.
  • Paciente informado, monitorado e mais autônomo.
  • Escuta, empatia e conexão humana continuam essenciais.
  • Necessidade de equilíbrio entre tecnologia, pensamento crítico e humanismo.


Como os médicos podem se preparar para a medicina do futuro
  • Desenvolver competências críticas e analíticas junto à IA.
  • Aprimorar comunicação, empatia e ética profissional.
  • Atualizar-se continuamente sobre novas tecnologias e algoritmos clínicos.
  • Aprender modelos de trabalho centauro e ciborgue, integrando humano e máquina.
  • Incorporar monitoramento remoto e automação de processos no dia a dia.

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