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TIC Saúde 2025: o que o uso de IA em 18% das instituições revela sobre a saúde brasileira

Pela primeira vez, a pesquisa TIC Saúde oferece um retrato mais detalhado da adoção de inteligência artificial na saúde brasileira, mostrando que essas soluções começam a sair do campo experimental para apoiar o cuidado na prática. O levantamento divulgado em abril de 2026 indica que 18% dos estabelecimentos de saúde no país já utilizam IA. O percentual é de 11% no setor público e alcança 25% em unidades privadas. 

Realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), a pesquisa TIC Saúde investiga a adoção e o uso das tecnologias de informação e comunicação nas instituições de saúde, indicando a evolução da saúde digital no país. A mais nova edição aponta que a infraestrutura digital está amplamente consolidada no setor, com a universalização do acesso à internet e a computadores nas instituições. Para os pesquisadores, esse cenário cria as bases para a expansão da oferta de serviços digitais aos pacientes e para a adoção de IA e outras tecnologias emergentes.


Principais dados sobre uso de IA na saúde brasileira

Os resultados da TIC Saúde 2025 evidenciam que a IA está mais presente em locais com maior capacidade técnica e organizacional, como em instituições com mais de 50 leitos (31%) e em serviços de apoio diagnóstico e terapêutico (29%). Confira outros destaques do novo levantamento sobre adoção de inteligência artificial na saúde brasileira.

As tecnologias de IA mais utilizadas
  • 76% das instituições que já adotaram IA contam com modelos de linguagem generativa, como ChatGPT, Gemini e outras ferramentas.
  • 52% das unidades utilizam IA para mineração de texto e análise de linguagem.
  • 48% dos estabelecimentos usam IA para automatização de processos de fluxos de trabalho.
  • 26% dos consultados relatam uso de ferramentas de reconhecimento de fala.
  • 17% dos locais usam IA para processamento de imagens.
  • 15% adotam aprendizagem de máquina para análise de dados e predição.
Como a IA é usada nas instituições de saúde
  • 45% empregam IA primordialmente para organização de processos clínicos e administrativos.
  • 36% das unidades usam IA para melhoria da segurança digital.
  • 32% adotam IA para aumentar a eficiência dos tratamentos.
  • 31% buscam aprimoramento da logística.
  • 26% utilizam inteligência artificial para apoio ao diagnóstico.
  • 27% dos estabelecimentos contam com IA para gestão de RH.
Barreiras para adoção de IA na saúde
  • 63% dos hospitais consultados apontam custos elevados, 56% relatam falta de priorização e 51% falam em carência de profissionais capacitados.
  • 60% dos gestores de serviços de apoio diagnóstico e terapêutico (SADT) apontam falta de interesse ou necessidade e 50% relatam preocupações com a privacidade de dados.

A TIC Saúde 2025 realizou entrevistas telefônicas e aplicou questionários digitais com 3.270 gestores entre fevereiro e novembro de 2025. Nesta edição, a pesquisa ampliou a coleta de informações sobre inteligência artificial para todos os estabelecimentos com computador, e não apenas para instituições com departamentos formais de tecnologia da informação. Segundo os pesquisadores, a mudança metodológica reflete a popularização de ferramentas de IA acessíveis por plataformas externas e serviços em nuvem, cada vez mais presentes na rotina dos serviços de saúde.

O levantamento também reforça a necessidade de ampliar políticas de segurança da informação e governança de dados sensíveis para garantir conformidade com a legislação brasileira. Além disso, os autores destacam que os resultados evidenciam desigualdades estruturais entre os setores público e privado, indicando que a expansão da saúde digital e da inteligência artificial no país ainda depende de avanços em infraestrutura, capacitação profissional e maturidade tecnológica.


O que os dados indicam para gestores de saúde

A TIC Saúde 2025 mostra que a transformação digital na saúde brasileira entrou em uma nova fase. A infraestrutura básica já está amplamente disponível, mas os maiores desafios agora estão na integração entre sistemas, na governança de dados, na segurança da informação e na capacitação das equipes.

Para gestores de hospitais, clínicas, operadoras e serviços de apoio diagnóstico, a leitura é clara: a adoção de IA deve começar por problemas reais da operação, como organização de processos, redução de retrabalho, apoio à gestão, segurança digital e melhora dos fluxos assistenciais. Mais do que escolher uma ferramenta, será necessário definir critérios de uso, indicadores de sucesso, políticas de proteção de dados e formas de integração com os sistemas já existentes.

A pesquisa também indica que digitalizar não é o mesmo que integrar. Muitos estabelecimentos já usam registros eletrônicos, mas ainda enfrentam limitações para trocar informações entre serviços. Por isso, interoperabilidade e governança deixam de ser temas técnicos e passam a ser decisões estratégicas para quem lidera instituições de saúde.


Outros dados e tendências da transformação digital na saúde

Em 2025, o acesso a computadores e à internet permaneceu praticamente universal nos estabelecimentos de saúde do Brasil, alcançando 99% dos locais, sem diferenças entre os setores público e privado. A pesquisa mostra que os computadores de mesa seguem como principal dispositivo eletrônico (97%), seguido por notebooks (71%) e tablets (41%). 


Confira mais destaques da TIC Saúde 2025:
  • 92% dos estabelecimentos de saúde usam sistemas eletrônicos para registro de informações dos pacientes, mas só 44% conseguem enviar ou receber esses dados para outros espaços digitais. 
  • 39% das instituições oferecem visualização de resultados de exames, 34% contam com sistemas de agendamento de consultas e 32% usam tecnologia de agendamento de exames. 
  • A interação online de pacientes com a equipe de saúde passou de 16% em 2023 para 35% em 2025, indicando maior utilização de canais digitais de comunicação.
  • A teleconsultoria está presente em 36% dos estabelecimentos, seguida pela teleconsulta (28%), pelo telediagnóstico (27%) e pelo telemonitoramento (20%).
  • 42% das unidades possuíam política de segurança da informação, com diferenças expressivas entre o setor público (28%) e o privado (54%). 


Os dados da TIC Saúde 2025 indicam que a inteligência artificial e outras ferramentas de saúde digital avançam rapidamente no Brasil, impulsionadas pela consolidação da infraestrutura tecnológica nos serviços de saúde. Ao mesmo tempo, o levantamento evidencia desafios importantes relacionados à interoperabilidade, segurança da informação, capacitação profissional e desigualdade entre os setores público e privado. 

Para gestores, o próximo passo não é apenas acompanhar essa adoção, mas estruturar escolhas seguras, integradas e úteis para a operação. Nesse cenário, soluções de IA em saúde precisam combinar eficiência, governança de dados e aderência ao fluxo real das instituições. Conheça a Voa Health e veja como a IA pode apoiar instituições de saúde com mais segurança, praticidade e responsabilidade. 

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Como falar com o paciente sobre o uso de IA na consulta médica